A Cidade que Dança

Cidade que dança

Por Nina Guzzo

A Bienal SESC de Dança acabou na semana passada. Coincidiu com a volta do frio e da chuva na cidade, que ficou também um pouco mais quieta e vazia.
Foram 7 dias de programação intensa, 22 espetáculos, 3 instalações e 6 intervenções, dentre mais de 500 inscritos na convocatória lançada em Janeiro deste ano pelo SESC SP. A equipe de curadoria escolheu, de maneira acertada, um panorama de obras relevantes, que foi produzido no país nos últimos 2 anos. As atrações internacionais vieram do Uruguai, Chile, Bélgica e França – com destaque para o espetáculo do Uruguai “Vazio”, que trouxe o frescor do nosso vizinho, tão sedutor e interessante na dança como na política.
Oficinas, workshops, lançamentos de livros, debates, e mais importante: um ponto de encontro que funcionou diariamente proporcionando trocas e diálogos importantes entre criadores, produtores e artistas.
No entanto, chama atenção que apenas um trabalho da cidade de Santos estava entre os selecionados: da Cia Etra de Dança Contemporânea “Os balões vermelhos”. Também é possível perceber entre os artistas que circulam nas oficinas, debates e programações formativas, pouquíssimas ou quase nenhum artista da cidade. Os temas das palestras, abordando “curadoria” foram um tanto auto-referentes, com poucas reverberações nas problemáticas locais. Mas as oficinas eram muito boas, com artistas incríveis como Marcelo Evelin, Cristian Duarte, Dudude Herrmann e Alejandro Ahmed (todos com pensamentos e movimentos convergentes e complementares).
Seria mentira afirmar que não existe gente fazendo ou pensando dança por aqui. Na experiência proposta pelo SESC para o lançamento da Bienal, realizamos uma performance com 34 artistas, dirigida por Alejandro Ahmed (diretor do Grupo Cena 11, de Florianópolis, homenageado na Bienal este ano). Foi possível perceber que quem trabalha com dança em Santos, tem que fazer também outra coisa da vida (como a maioria dos artistas no Brasil).
Não há uma política pública que incentive e proporcione que artistas sobrevivam dançando. Então, o quadro que temos é de professores, dentistas, biólogos, que dançam nas horas vagas, entre um trabalho e outro, lutando ou se desdobrando para manter sua arte viva em horários alternativos. Isso reflete uma falta de engajamento e de espaço para criações.
Investir em cultura também significa investir nos artistas locais, com políticas de fomento e formação para que a arte, o pensamento, a pesquisa possa acontecer longe da lógica da produção e do trabalho.
Está mais do que na hora de juntar as forças e se unir às ações do SESC para que em 2015 a Bienal seja ainda mais bonita.
E que Santos consiga se manter dançando para além do turismo e do entretenimento, onde os festivais e os ventos do mundo trazidos por eles nos ajudem a refletir e transformar!

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