Momento de trégua

Por Ariadne Filipe

A muito tempo que eu não escrevia para a coluna reticências dança, até porque não sou jornalista, apenas faço reflexões sobre questões relacionadas a dança e como ela chega aqui na cidade onde eu vivo.

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Foto: Lairton Carvalho

Ontem fiquei muito feliz com um evento que aconteceu aqui em Santos, onde o intuito era unir os artistas da dança que andam um pouco dispersos atualmente por essas bandas. Seja pela falta de incentivo do poder público da cidade, da ausência de políticas públicas adequadas e por outros motivos profissionais e pessoais, enfim sempre vejo que a dança aqui é fragilizada por motivos banais e inadequados, ainda fico tentando entender bem essa dinâmica por aqui.

Mas não vim escrever para reclamar, mas para pontuar micro ações de resistência, de artistas que mesmo sabendo das dinâmicas castradoras e burocráticas, mantém sua cabeça erguida seja para um novo recomeço, ou para propor novas iniciativas. Ontem uma nova e bacana iniciativa foi pontuada na concha acústica, embora essa bendita concha acústica não respeite bem os artistas, porque ela esta lá para embelezar a cidade e a orla da praia, e ainda me indigno com a maneira como funcionam as coisas nesse espaço que é muito legal e poderia ser tão bem aproveitado e abrir ainda mais espaço para dar voz a dança, mas esse é um assunto para uma outra ocasião.

Quero falar de coisas boas e esperança, porque fiquei procurando de fato uma palavra que pudesse retratar esse momento de ontem e só consegui pensar em esperança. Pois consegui de fato enxergar depois de uma nuvem negra que passou pelos meus olhos durante um tempo, a verdadeira vontade das pessoas de simplesmente se reunir e fazer algo de interessante. Embora tímido esse começo, acredito que se ele for levado a sério e com respeito tem tudo para dar certo. Porém como muitas coisas em dança que começam aqui e param e não são levadas adiante por motivos muitas vezes mesquinhos, se por um breve momento nos despirmos de nossas vaidades e nos juntarmos para trocas efetivas que tragam benefício comum a todos, não tem porque não dar certo. Achei mais que adequado o nome do evento JAM TRÉGUA, para aqueles que viveram esses momentos de nuvens negras sobre os olhos, sabem do que falo.

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Foto: Lairton Carvalho

Embora a chuva tenha atrapalhado por alguns instantes e quase fez com que todos esmorecessem e desistissem de manter o encontro, uma saída rápida fez com que aquela pequena chama que alimentava uma pequena fogueira, acendesse e enfim aquecesse a todos no desejo de continuar e a levar a “trégua” adiante. Acho que enquanto estivermos dispostos a conversar e a trocar verdadeiramente esse momento continuará a fluir como um rio que corre e alimenta a tudo em sua volta. Desejo de fato que essa pequena semente plantada nesse momento, possa germinar lindas colheitas, para todos nós e que enfim a dança nessa cidade possa ser vista com o devido respeito pelo qual ela merece, que os artistas que a sustentam possam ser respeitados como merecem. Vida longa ao projeto JAM TRÉGUA e sigamos em frente!!!!!!

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Foto: Lairton Carvalho