O que acontece com a dança contemporânea na cidade de Santos?

O que acontece com a dança contemporânea na cidade de Santos?

Por Ariadne Filipe

Escrever uma coluna… eu confesso que nunca fiz isso antes, mas o desafio será de grande valia e aprendizado. Há alguns anos iniciei um curso de extensão pela UFC (Universidade Federal do Ceará) que tinha um formato de pensar a dança de uma forma bem mais complexa do que eu imaginava. O curso chamava-se Dança e pensamento. Foi difícil em um dos módulos ter que produzir um texto crítico sobre um espetáculo de dança, e não era um espetáculo qualquer era Umwelt de Maguy Marin  que hoje vejo ter sido um privilégio assistir esse trabalho ao vivo. Me vi em uma situação bem complicada, pois não sabia de fato o que discorrer sobre um trabalho que demorei a digerir e entender, mas enfim escrevi e acho que não me sai assim tão mal.

Bom o que pretendo nesse texto é uma reflexão sobre a dança contemporânea na cidade de Santos. O que acontece com ela, por onde ela tem transitado?  Eu nasci em Santos e a dança para mim começou bem cedo, aos 7 anos. Aos 22 anos me mudei e passei por muitos lugares até de fato me decidir que a dança era o que me movia, era o fio condutor para buscar minhas próprias respostas com relação à dança.  Depois de longos anos ausente da cidade de Santos, vinha apenas com minha Cia para participar da Bienal Sesc de Dança. Diga-se de passagem, é um evento que mobiliza um grande número de artistas de várias linguagens e que oferece por um período curto um turbilhão de informações, conceitos, novas perspectivas, ideias e reflexão. Porém minha pergunta, antes de voltar a morar em Santos de fato, era o que acontece depois que a Bienal acaba? O que fica? O que os artistas fazem com essas informações? Bom, eu levava embora comigo inúmeras possibilidades, mas, e aos nativos o que ficava?

Nessa última Bienal, em 2011, percebi que depois de acabado tudo, a dança parece que de alguma maneira se silenciou, não acontecia mais eventos, ninguém arriscava. Estava enganada, pois ela plantou sim uma semente que alguns artistas souberam plantar e cuidar, ainda cuidam.

Porém a cidade não oferece muitas alternativas em matéria de agitação, tudo é muito silencioso e apenas grupos pequenos de Cias independentes e artistas mais ousados arriscam, levam para frente suas pesquisas e tentam mesmo sendo um grão de areia no deserto, a continuar se espalhando. Vejo alguns discursos de quem não cava buracos fundos, dizer que não existem coreógrafos ou cias que fazem pesquisa. Puxa, desculpe decepcionar, mas existe sim. Embora ainda seja um trabalho de formiguinha, existe pesquisa em dança contemporânea, existem artistas preocupados em agregar seu trabalho de dança com outras linguagens artísticas. Existe um pequeno edital que ainda não é o ideal – aliás, falta muito para chegar a um ideal -, mas o mais importante é que existe uma voz.

O artista Santista sabe que a dança muitas vezes se concentra em eventos durante o ano no Sesc, mas ela já esta sendo ouvida em outros lugares. Um bom exemplo é o Laboratório de Sensibilidades que levou para dentro da Universidade (a Unifesp) um trabalho de dança unindo oficina e performance. Então eu pergunto quem disse que não existe gente que pensa dança, faz dança e pesquisa? Existe sim um movimento dissonante e importante acontecendo e movimentando as bordas. Sugiro que sigamos nos movimentando, somando, compartilhando que com certeza seremos ouvidos e vistos.

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